Gastromaniac

16 de março de 2010

História do chocolate / History do chocolate

O chocolate possui uma vasta e rica história. Surgiu nas Américas, mais precisamente cultivado pelos Olmecas no México 1200 a.C. Considerado Elixir dos deuses e dos heróis pelos maias, com citações no Popol Vuh, o livro sagrado dos maias e consumido pelos guerreiros astecas, consumidores fanáticos do chocolate, o chocolate começa a traçar sua trajetória até os dias atuais.

Ainda quando era consumido e apreciado pelos guerreiros astecas e por Montezuma II, último imperador dos astecas, onde a refeição sempre terminava suntuosamente com uma cabaça de chocolatl, uma bebida a base de sementes de cacau, aromatizada com baunilha, flores, sementes de urucum, pimenta, às vezes mel, ou ainda, cogumelos alucinógenos, uma verdadeira porção. Apreciado por sua espuma, obtida ao despejar a bebida do alto, era degustada sempre com um charuto. Foi assim que Cortés, antigo companheiro de Cristóvão Colombo, teve sua primeira experiência com as “bolhas cremosas do chocolate”, ao conquistar o México, em 1519.

O ouro de Montezuma e o cacau, a “semente moeda”, eram considerados de igual valor entre as riquezas do imperador asteca, e entraram ao mesmo tempo no palácio do imperador Carlos V, no século XVI, se transformando na coqueluche da aristocracia e do clero, na Espanha. A partir daí conquistou outros países da coroa espanhola: Bélgica, Holanda e parte da Itália. A bebida chegou à França por intermédio da princesa Ana da Áustria ao casar-se com Luís XIII. A jovem levava em sua bagagem seu jogo para chocolate. Mas sua sobrinha Maria Teresa da Áustria, esposa de Luiz XIV, que inoculou a bebida na França.

O chocolate era a paixão da aristocracia, mesmo sendo por vezes criticada pela nobreza francesa. Corriam rumores sobre a inebriante poção porque “deleita por um tempo e, depois, subitamente, nos incendeia com uma excitação contínua”, como observou a marquesa de Sévigné, nas suas Cartas.

A revolução industrial contribuiu imensamente para a mudança da mentalidade em relação ao chocolate: mantendo o prestígio, porém, já acessível ao povo. As várias técnicas avançadas permitiram aumentar sua variedade. Em 1826 uma patente registrada pelo holandês Coenrad Johannes van Houten, criava um chocolate sem gordura, mais digerível, como objetivo principal a saúde do consumidor, independente da idade. Com a produção industrial, que permitiu diminuir radicalmente o preço, o chocolate passou a ser um meio de combater as bebidas alcoólicas, então um hábito das classes operárias.

Cinquenta anos depois com o objetivo de contribuir para a dieta infantil surgiu o chocolate ao leite, que pretendia de maneira agradável suprir as necessidades de cálcio das crianças. Criado na Suíça, em Vevey, pelo jovem Daniel Peter, que se casara com Fanny Cailler, filha de um fabricante de chocolate, quis desenvolver um tablete de chocolate usando o leite. Ele conseguiu o intento em 1875, ao usar o leite em pó.

Consumido primeiramente como uma bebida com espumas cremosas, o chocolate teve em sua trajetória várias formas de ser consumido: quente no grande bufê prateado, nas recepções solenes no “Salão da Abundância”, em Versalhes; morno e líquido na indolente intimidade de um bodoir ou gelado, com sorbet, pela aristocracia italiana; futuramente em tabletes, populares nos dias atuais.

________________________________________________________

The chocolate has a vast and rich history. Arose in the Americas, more specifically, cultivated by Olmecas in Mexico, 1200 BC. Considered Elixir of gods and heroes, with citations in the Popol Vuh, the sacred book of Mayas, and consumed by Aztecs warriors, fanatical consumers of chocolate, the chocolate begins to draw its trajectory to the present day.

Even when it was consumed and appreciated by Aztec warriors and Montezuma II, last emperor of the Aztecs, where a meal always richly ended with a calabash of chocolatl, a drink based on the seeds of cocoa, flavored with vanilla, flowers, seeds of annatto, pepper, sometimes honey, or, hallucinogens mushrooms, like a real potion. Appreciated for its foam, obtained by pouring the drink from the top, the drink was always enjoyed with a cigar. Thus, Cortes, a former companion of Christopher Columbus, had his first experience with the “creamy bubbles of chocolate,” when he conquered Mexico, in 1519.

The gold of Montezuma and cocoa, the “seed money”, were considered of equal value between the riches of the Aztec emperor, and entered at the same time in the palace of Emperor Carlos V, in the sixteenth century, becoming the whooping of the aristocracy and the clergy in Spain. Since then won other countries of the Spanish crown: Belgium, the Netherlands and part of Italy. The drink came to France from Princess Ana of Austria, when she married to Louis XIII. The young took in her luggage her set for chocolate. But it was his niece Maria Teresa of Austria, wife of Luiz XIV, who introduced the drink in France.

The chocolate was the passion of the aristocracy, even though sometimes criticized by the French nobility. Rumors ran on the heady potion because “delights for a while and then suddenly, burn us with a continuous excitation”, as the marquise de Sévigné noted in their letters.

The industrial revolution has contributed immensely towards changing the mindset on the chocolate: maintaining the prestige, but now accessible to people. Various advanced techniques have increased its range. In 1826 a patent registered by Coenrad Dutchman Johannes van Houten, created a chocolate without fat, more digestible, the main objective of is the health of the consumer, regardless of age. With industrial production, which has radically reduce the price, chocolate has become a means to combat the alcohol, a habit of working classes.

Fifteen years later with the objective to contribute to child diet arose the milk chocolate, which sought to comfortably meet needs of calcium for children. Created in Switzerland, in Vevey, by young Daniel Peter, who will marry Fanny Cailles, the daughter of a manufacturer of chocolate, wanted to develop a chocolate bar using milk. He has the intention in 1875, using the milk powder.

First consumed as a beverage with creamy foam, the chocolate has had on its trajectory several ways to be used:  hot in the big silver buffet, in the solemn reception at the “Salon of Abundance”, in Versailles, warm and liquid in the intimacy of a bodoir, or cold, like a sorbet, by the Italian aristocracy and in future in tablet, popular nowadays.

Fonte: Larouse do Chocolate, Pierre Hermé.

Deixe um comentário »

Nenhum comentário ainda.

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: